No nordeste da Bahia, em Paripiranga, localiza-se a AGES, abrigando escola básica, média e ensino superior. Mais de trinta municípios recorrem aos seus cursos. As instalações são primorosas, todas feitas com especial gosto arquitetônico, tudo funcionando desde o local de convivência até a biblioteca e laboratórios. A preocupação ecológica está presente, um parque foi acolhido pela Instituição, com orientação das águas e a colocação de uma mini Torre Eifel que acaba por trazer um apelido à cidade: Parispiranga. Mas, a pergunta principal está no ar: quem idealizou, quem se didica de corpo e alma a esta Instituição, estimulando professores, organizando congressos e dinamizando a educação? É o Professor Wilson e sua história mobiliza corações.
Quando ele terminou a alfabetização a sua mãe simplesmente disse: - meu filho, agora que já sabes escrever o nome,o trabalho será trabalhar na enxada e plantando feijão durante toda a vida. Wilson, pequeno e obediente trabalhava na enxada de dia e estudava de noite. Concluiu o ensino básico. Carpindo o terreno, concluiu o ensino médio. Viajando todos os dias entre Paripiranga e Aracaju, sem dinheiro para o lanche diário, curtia fome, mas concluiu a graduação. Homem tenaz iniciou as construções em Paripiranga, influenciando as transformações nesta região da Bahia. Um exemplo de luta que precisa, resumidamente, ser apresentada ao Brasil. Um merecedor da medalha do Cruzeiro do Sul, mesmo assim insuficiente para premiar tamanho valor.
sábado, 3 de setembro de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
SEGUNDO LIVRO AOS QUINZE ANOS
Publicando seu primeiro romance, A JANELA, aos doze anos de idade, Murilo Bazzo nascido em Araguaína, Tocantins, hoje estudante em Palmas, capital do mesmo estado, atingiu a terceira edição com este romance. Já realizou viagens e vários programas de TV pelo Brasil, atendeu a um convite da Universidade Candido Mendes em Nova Friburgo-RJ, esteve no Colégio Pontinha de Sol, Anchieta, Mercês, foi entrevistado pelos alunos do Instituto de Educação e participou de um programa na TV Luau. O mesmo ocorreu com a TV Anhnaguera em sua cidade. Foi apoiado pelo COC de Palmas e participou com mais de 450 autógrafos do Salão do livro em seu Estado. Neste ano, ao completar 15 anos, teve o romance, A JANELA selecionado para aquisição e distribuição para escolas da Secretaria de Estado de Educação do Tocantins. Mais um êxito de Murilo Bazzo. Quando escrevi o prefácio da segunda edição de A JANELA, percebia o valor do potencial deste jovem autor. Mas, nada ficou parado. Já está nas bancas outro livro: 12 PALAVRAS PARA VENCER. Mais um que promete ganhar o mercado. Parece-me estar surgindo um Saramago brasileiro, partindo do planalto central para ganhar as grandes livrarias do Brasil. Apoiar este potencial jovem faz parte de nosso dever de educadores. Estaremos juntos, professor!
domingo, 7 de agosto de 2011
ANO LETIVO DE 960 H
Entrará em vigor o ano letivo de 960 horas, dentro das configurações anteriores, onde esta hora-aula deve corresponder aos 60 minutos do relógio.
Se alguns pensam que são cargas horárias para injetar mais aulas acadêmicas no currículo, estão enganados. Na verdade, estes tempos devem atender às demandas de mais exercícios, recuperação e atividades culturais que enriqueçam a formação do aluno. Este aumento quantitativo contribui para disfarçar as aulas de baixa qualidade, aumentando-se a quantidade. Isto significa que, apenas mais aulas de baixa qualidade, em nada influenciarão no aprendizado dos alunos. Trata-se, portanto, de mais um paliativo. Muitas escolas já estão trabalhando com tempo dilatado e dentro de um formato cultural, onde as aulas, por sua vez, são de alta qualidade. Este aumento, no entanto, exigirá daqueles que aplicam a técnica da maquiagem para disfarçar as 800 horas dentro dos 200 dias letivos, a chegar, pelo menos, à decência dos 180 dias! Torna-se mais difícil, com esta medida em prática, permitir que o professor fique em sua casa fora dos tempos legais de férias escolares e de direito trabalhista. A verdadeira questão para solucionar os problemas de aprendizado passam pela valorização global do magistério e suas condições de trabalho, descanso para o professor que atua numa profissão desgastante e oferta de formação continuada para se atingir uma melhor qualidade em cada aula ministrada.
Se alguns pensam que são cargas horárias para injetar mais aulas acadêmicas no currículo, estão enganados. Na verdade, estes tempos devem atender às demandas de mais exercícios, recuperação e atividades culturais que enriqueçam a formação do aluno. Este aumento quantitativo contribui para disfarçar as aulas de baixa qualidade, aumentando-se a quantidade. Isto significa que, apenas mais aulas de baixa qualidade, em nada influenciarão no aprendizado dos alunos. Trata-se, portanto, de mais um paliativo. Muitas escolas já estão trabalhando com tempo dilatado e dentro de um formato cultural, onde as aulas, por sua vez, são de alta qualidade. Este aumento, no entanto, exigirá daqueles que aplicam a técnica da maquiagem para disfarçar as 800 horas dentro dos 200 dias letivos, a chegar, pelo menos, à decência dos 180 dias! Torna-se mais difícil, com esta medida em prática, permitir que o professor fique em sua casa fora dos tempos legais de férias escolares e de direito trabalhista. A verdadeira questão para solucionar os problemas de aprendizado passam pela valorização global do magistério e suas condições de trabalho, descanso para o professor que atua numa profissão desgastante e oferta de formação continuada para se atingir uma melhor qualidade em cada aula ministrada.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
EDUCAÇÃO EM ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SP
Tendo tempo, visito as escolas de uma Secretaria de Educação antes de fazer alguma palestra. Foi o que aconteceu nesta cidade do interior de São Paulo na divisa com Minas Gerais. A educação que vi em pouco tempo reflete o IDH superior aos 0.830 que a internet divulga. Ali há investimento em educação, os professores auxiliares são graduados, as escolas têm salas de alta qualidade, organizadas por módulos integrados, refletindo uma visão sistêmica e abolindo conceitos cartesianos. Notei um cuidado especial das auxiliares de creche com as crianças. A merenda é de alta qualidade e as pessoas refletem uma alegria acolhedora e cativante. Encontrei o gosto pela educação e um ambiente de comprometimento, o que é mais importante. Numa cidade com mortalidade infantil de 11 crianças por mil nascidos, 73 anos de média de vida e clima ameno pelos seus 870 metros de altitude, convidam a uma visita mais cuidadosa. Quando tiver tempo o farei. Levo na mente e no coração uma excelente recordação das pessoas, do artístico Teatro reformado, da Igreja Matriz de peculiar arquitetura e do clima de simplicidade que envolve as relações humanas nesta cidade de Espírito Santo do Pinhal.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
O INSTITUTO LIBER EM PORANGATU- GO
Obras excelentes devem ser divulgadas. Neste julho, mais uma vez fui convidado para ministrar curso e palestra neste Instituto na cidade de Porangatu-GO. Há fatos, no Brasil, a merecer atenção. Mais de seiscentos professores de cinco estados diferentes, deslocando-se por tempo de 30 horas desde suas cidades de origem até o norte de Goiás, foram fazer parte do curso de pós-graduação lato-sensu cuja chancela é oferecida pela Faculdade Católica de Anápolis. Dormiam em escolas transformadas em dormitórios, faziam refeições em páteo de Igreja e tinham aulas em ambiente climatizado, com laboratórios e horário integral. Lindo de se ver. Nos bastidores a equipe Líber, liderada pela professora Lídia, sua filha Sulamita e o incansável Mazulky. Mais de quarenta pessoas trabalhavam nas várias assessorias: acadêmica, financeira, social, alimentar, de suporte em saúde e em transporte. Some-se a tudo isso a reposição de aulas, as novas cadeiras a serem cursadas, as apostilas a serem estudadas. E por que não falar do Prof. Edvaldo filmando declarações de professores para levar a outras partes do Brasil? Mais de 2.000 professores estudam por este Instituto. Vale ressaltar que os professores estão buscando aprimoramento e há muita gente séria e empenhada oferecendo cursos de qualidade. Parabéns!
domingo, 10 de julho de 2011
CANDIDO MENDES, ATÉ LOGO!
CANDIDO MENDES, NÃO É MAIS QUE UM ATÉ LOGO...
Há uma canção entre os escoteiros, geralmente cantada ao final dos acampamentos e reuniões que diz assim em seu estribilho: “não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus, bem cedo junto ao fogo tornaremos a nos ver”.
Ao me despedir da Universidade Candido Mendes, aonde cheguei pelas mãos de Alexandre Gazé em 1983, posso lembrar a mesma música e dizer da grande satisfação de ter convivido com tantos colegas de magistério que formam com esta Universidade um grande grupo de amigos. Conheci amizades firmes e duradouras e as levo dentro da mochila pela vida nômade que assumi desde 13 anos atrás.
Tive convívios fraternos maiores que os de sangue possam proporcionar. Gazé foi, é e será um irmão um pouco mais novo que poderá contar com minha voz a seu favor pela vida afora.
Não é mais que um breve adeus porque a Universidade, através de seus diretores e coordenadores, do Roosevelt, da Janaína, do Assis, do Edmar, do Nilson, da Dra. Ivelise, do Professor Francisco, da Mônica Monnerat e de tantos outros, sem me esquecer de Conceição, Wanda e Geiza com as quais convivi mais tempo, sabem que na medida da disponibilidade da agenda atenderei à Universidade onde for necessário e com a característica da gratuidade.
Bem cedo junto ao fogo tornaremos a nos ver e, por esta mesma razão, este meu gesto não envolve despedida. Não irei apertar a mão, nem dizer coisa alguma, porém, sempre estarei presente e atento ao necessário e, além disso, todos podem continuar contando comigo onde estiver e dentro da imprevisibilidade que a vida me reservou nos últimos 13 anos.
Adaptado à virtualidade, adepto do nomadismo e do tele trabalho percebo que o tempo ainda reserva muito de criatividade para quem se adequa ao mundo das expertises, uma espécie de grupo quinquenário dentro da distribuição do trabalho neste início de século XXI.
O fogo que nos aqueceu nesses anos, reflexo de uma amizade que é característica da casa continuará aceso. A Universidade marcha e, em sua passagem, transforma.
Agradeço a Deus as oportunidades que tive e desejo a todos muita felicidade!
Prof. Hamilton Werneck
Há uma canção entre os escoteiros, geralmente cantada ao final dos acampamentos e reuniões que diz assim em seu estribilho: “não é mais que um até logo, não é mais que um breve adeus, bem cedo junto ao fogo tornaremos a nos ver”.
Ao me despedir da Universidade Candido Mendes, aonde cheguei pelas mãos de Alexandre Gazé em 1983, posso lembrar a mesma música e dizer da grande satisfação de ter convivido com tantos colegas de magistério que formam com esta Universidade um grande grupo de amigos. Conheci amizades firmes e duradouras e as levo dentro da mochila pela vida nômade que assumi desde 13 anos atrás.
Tive convívios fraternos maiores que os de sangue possam proporcionar. Gazé foi, é e será um irmão um pouco mais novo que poderá contar com minha voz a seu favor pela vida afora.
Não é mais que um breve adeus porque a Universidade, através de seus diretores e coordenadores, do Roosevelt, da Janaína, do Assis, do Edmar, do Nilson, da Dra. Ivelise, do Professor Francisco, da Mônica Monnerat e de tantos outros, sem me esquecer de Conceição, Wanda e Geiza com as quais convivi mais tempo, sabem que na medida da disponibilidade da agenda atenderei à Universidade onde for necessário e com a característica da gratuidade.
Bem cedo junto ao fogo tornaremos a nos ver e, por esta mesma razão, este meu gesto não envolve despedida. Não irei apertar a mão, nem dizer coisa alguma, porém, sempre estarei presente e atento ao necessário e, além disso, todos podem continuar contando comigo onde estiver e dentro da imprevisibilidade que a vida me reservou nos últimos 13 anos.
Adaptado à virtualidade, adepto do nomadismo e do tele trabalho percebo que o tempo ainda reserva muito de criatividade para quem se adequa ao mundo das expertises, uma espécie de grupo quinquenário dentro da distribuição do trabalho neste início de século XXI.
O fogo que nos aqueceu nesses anos, reflexo de uma amizade que é característica da casa continuará aceso. A Universidade marcha e, em sua passagem, transforma.
Agradeço a Deus as oportunidades que tive e desejo a todos muita felicidade!
Prof. Hamilton Werneck
sábado, 25 de junho de 2011
Utiariti ou Uthyaharity 50 anos depois
UTHIAHARITY – UTIARITI
A quem interessar lá se vão outras histórias sobre a Missão Anchieta, a influência dos jesuítas na região e comentários sobre a região. Enviarei ao Marteleto uma série de fotos para que ele as coloque no álbum e todos possam se deliciar com a realidade.
Fui convidado para ir ao Centro Tecnológico de Campo Novo do Parecis, cidade do Mato Grosso que era considerada o final de todas as terras em 1961. Teria atividades com os professores da Escola Técnica Federal e Secretaria de Educação da cidade. O nome é escrito assim mesmo, embora errado quanto ao modo da língua portuguesa grafar. Quando a ela me referir, escreverei somente CNP.
Do aeroporto de Várzea Grande segui de carro para CNP. Quatrocentos e cinquenta quilômetros de asfalto. Em alguns trechos, muito bom. Passamos por Tangará da Serra, onde estive há dois anos e trouxe uma série de fotos.
Com o progresso agrícola o asfalto chegou a uma distância da antiga missão não mais que 60 km. De modo que, ir ao Utiariti e Salto Belo do Rio Sacre ficou muito fácil. As fotos falarão mais que a narrativa.
Acompanhou-nos a Cacique Myriam que tinha sete anos quando de nossa visita à Missão Anchieta em 1961 (Selvaggi, Savioli, Bráulio, Fernando Almeida e eu). Esta cacique supervisiona sete escolas indígenas dentro da reserva de 1.600.000 hectares e cuida das atividades acadêmicas, merenda, material escolar e atendimento aos professores, todos contratados pelo município de CNP.
Segundo a Cacique, as lideranças indígenas nas várias aldeias são exercidas por indígenas que estiveram na Escola de Utiariti à época da missão. Este aspecto é ressaltado pela Myriam como um fato muito positivo do trabalho dos jesuítas. Ela não concorda com o método usado pelos missionários porque os indígenas perderam muito da sua própria cultura. Ela mesma teve que reaprender, inclusive a língua Pareci.
Conosco estavam três professores, a Cacique Myriam que também é professora. O Prof. César que usa barba é esposo da Professora Vera que coordena o setor pedagógico da Escola Técnica Federal. Além disso, o César é diretor da Escola Estadual Padre Arlindo em CNP. O Padre Arlindo estava na Missão Anchieta em 1961, era natural de Santa Catarina e permaneceu entre os indígenas, residindo nas aldeias e atendendo-os espiritualmente. Na reserva e em CNP é muito reconhecido tanto que os indígenas exigiram que seu corpo ficasse sepultado numa das aldeias. Nas fotos encontrarão a sepultura, as inscrições e verificarão todo o cuidado e respeito que têm por ele.
Sempre pensei que Utiariti fosse o nome de um pássaro e que o salto tinha esse nome por causa do Marechal Rondon. O Rondon continua mal visto na região e Utiariti não é pássaro. UTHIAHARITY, na língua pareci que é do grupo nuaruaque, significa povo sábio. Dai ser este local considerado “sagrado” pelos indígenas.
As fotos mostrarão que pouco mudou a área da reserva. O entrono é agronegócio puro e imenso. Encontrei na maloca da cacique um pôster do Blairo Magi que, com o apoio dos índios, asfaltou com apoio do governo federal uma estrada entre Sapezal e CNP. Beneficiou índios e suas próprias terras. O pedágio, no entanto, continua com os índios.
A reserva Pareci dificilmente será mudada porque se trata de um grande areão, improdutivo, servindo para pequena agricultura familiar. O agronegócio não se interessa pelo espaço entre o rio Sacre e Papagaio. Em CNP há uma empresa terceirizada da Petrobrás fazendo pesquisa e avaliando a viabilidade econômica do gás e do petróleo. Isso poderá mudar o perfil econômico de CNP e chegar a atingir a reserva indígena que, segundo dizem, está sobre uma grande reserva sobretudo de gás.
Algumas comparações causam espanto e algumas realidades preocupam. Espanta-me ver dentro da maloca um computador e a Cacique Myriam informando que terão internet, enquanto encontro em várias partes do Brasil professores que odeiam computadores; Espanta-me ver o investimento feito pelo MEC na Escola Técnica, inclusive com um corpo docente muito bem preparado, incluindo mestres e doutores, enfrentando uma dificuldade enorme porque os alunos não querem ser técnicos e, sim, advogados, psicólogos, médicos etc. Este panorama é muito comum nas escolas técnicas que se abrem pelo Brasil. O grupo que passa pela seleção corresponde a uma elite local, os professores, por incrível que pareça não reclamam de indisciplina escolar. A questão é outra: o objetivo dos alunos não corresponde ao objetivo da escola.
Fizemos o mesmo trajeto de 1961, chegamos às margens do Sacre onde há o mesmo sistema de cinquenta anos para atravessá-lo, puxamos a balsa como nos velhos tempos e consegui tirar uma foto no mesmo local e mesma posição de 50 anos atrás. Assim fica mais fácil para ver se o tempo foi ou não ingrato. Visitamos o rio Papagaio pelo lado oposto à antiga vila do Uthiaharity (povo sábio) e seguimos para a estrada asfaltada cortando o cerrado.
O restante, as fotos falarão mais que a narrativa. Numa delas procurei ficar na mesma posição do Fernando Almeida, segurando um galho de árvore para que o Salto Belo fosse visto. Ele, certamente recordará.
As escolas indígenas funcionam e as crianças falam um português correto.
Agora, força histórica é um fato! Numa das aldeias as crianças até hoje jogam “pipocão”. O nosso velho pipocão. Só que, entre indígenas que aprenderam a jogar com os padres jesuítas da Província do Sul, o jogo tem um nome europeu: spiryball. E, pelo Google, encontra-se até foto deste jogo.
A lembrança do Padre Selvaggi e dos colegas de 50 anos me acompanhou nessa segunda visita, as fotos representam a recordação e o silêncio que reina no local, quebrado pelo barulho das águas guarda em repouso merecido o corpo de nosso irmão, exemplo de dedicação aos indígenas, Padre Arlindo Ignácio de Oliveira.
A quem interessar lá se vão outras histórias sobre a Missão Anchieta, a influência dos jesuítas na região e comentários sobre a região. Enviarei ao Marteleto uma série de fotos para que ele as coloque no álbum e todos possam se deliciar com a realidade.
Fui convidado para ir ao Centro Tecnológico de Campo Novo do Parecis, cidade do Mato Grosso que era considerada o final de todas as terras em 1961. Teria atividades com os professores da Escola Técnica Federal e Secretaria de Educação da cidade. O nome é escrito assim mesmo, embora errado quanto ao modo da língua portuguesa grafar. Quando a ela me referir, escreverei somente CNP.
Do aeroporto de Várzea Grande segui de carro para CNP. Quatrocentos e cinquenta quilômetros de asfalto. Em alguns trechos, muito bom. Passamos por Tangará da Serra, onde estive há dois anos e trouxe uma série de fotos.
Com o progresso agrícola o asfalto chegou a uma distância da antiga missão não mais que 60 km. De modo que, ir ao Utiariti e Salto Belo do Rio Sacre ficou muito fácil. As fotos falarão mais que a narrativa.
Acompanhou-nos a Cacique Myriam que tinha sete anos quando de nossa visita à Missão Anchieta em 1961 (Selvaggi, Savioli, Bráulio, Fernando Almeida e eu). Esta cacique supervisiona sete escolas indígenas dentro da reserva de 1.600.000 hectares e cuida das atividades acadêmicas, merenda, material escolar e atendimento aos professores, todos contratados pelo município de CNP.
Segundo a Cacique, as lideranças indígenas nas várias aldeias são exercidas por indígenas que estiveram na Escola de Utiariti à época da missão. Este aspecto é ressaltado pela Myriam como um fato muito positivo do trabalho dos jesuítas. Ela não concorda com o método usado pelos missionários porque os indígenas perderam muito da sua própria cultura. Ela mesma teve que reaprender, inclusive a língua Pareci.
Conosco estavam três professores, a Cacique Myriam que também é professora. O Prof. César que usa barba é esposo da Professora Vera que coordena o setor pedagógico da Escola Técnica Federal. Além disso, o César é diretor da Escola Estadual Padre Arlindo em CNP. O Padre Arlindo estava na Missão Anchieta em 1961, era natural de Santa Catarina e permaneceu entre os indígenas, residindo nas aldeias e atendendo-os espiritualmente. Na reserva e em CNP é muito reconhecido tanto que os indígenas exigiram que seu corpo ficasse sepultado numa das aldeias. Nas fotos encontrarão a sepultura, as inscrições e verificarão todo o cuidado e respeito que têm por ele.
Sempre pensei que Utiariti fosse o nome de um pássaro e que o salto tinha esse nome por causa do Marechal Rondon. O Rondon continua mal visto na região e Utiariti não é pássaro. UTHIAHARITY, na língua pareci que é do grupo nuaruaque, significa povo sábio. Dai ser este local considerado “sagrado” pelos indígenas.
As fotos mostrarão que pouco mudou a área da reserva. O entrono é agronegócio puro e imenso. Encontrei na maloca da cacique um pôster do Blairo Magi que, com o apoio dos índios, asfaltou com apoio do governo federal uma estrada entre Sapezal e CNP. Beneficiou índios e suas próprias terras. O pedágio, no entanto, continua com os índios.
A reserva Pareci dificilmente será mudada porque se trata de um grande areão, improdutivo, servindo para pequena agricultura familiar. O agronegócio não se interessa pelo espaço entre o rio Sacre e Papagaio. Em CNP há uma empresa terceirizada da Petrobrás fazendo pesquisa e avaliando a viabilidade econômica do gás e do petróleo. Isso poderá mudar o perfil econômico de CNP e chegar a atingir a reserva indígena que, segundo dizem, está sobre uma grande reserva sobretudo de gás.
Algumas comparações causam espanto e algumas realidades preocupam. Espanta-me ver dentro da maloca um computador e a Cacique Myriam informando que terão internet, enquanto encontro em várias partes do Brasil professores que odeiam computadores; Espanta-me ver o investimento feito pelo MEC na Escola Técnica, inclusive com um corpo docente muito bem preparado, incluindo mestres e doutores, enfrentando uma dificuldade enorme porque os alunos não querem ser técnicos e, sim, advogados, psicólogos, médicos etc. Este panorama é muito comum nas escolas técnicas que se abrem pelo Brasil. O grupo que passa pela seleção corresponde a uma elite local, os professores, por incrível que pareça não reclamam de indisciplina escolar. A questão é outra: o objetivo dos alunos não corresponde ao objetivo da escola.
Fizemos o mesmo trajeto de 1961, chegamos às margens do Sacre onde há o mesmo sistema de cinquenta anos para atravessá-lo, puxamos a balsa como nos velhos tempos e consegui tirar uma foto no mesmo local e mesma posição de 50 anos atrás. Assim fica mais fácil para ver se o tempo foi ou não ingrato. Visitamos o rio Papagaio pelo lado oposto à antiga vila do Uthiaharity (povo sábio) e seguimos para a estrada asfaltada cortando o cerrado.
O restante, as fotos falarão mais que a narrativa. Numa delas procurei ficar na mesma posição do Fernando Almeida, segurando um galho de árvore para que o Salto Belo fosse visto. Ele, certamente recordará.
As escolas indígenas funcionam e as crianças falam um português correto.
Agora, força histórica é um fato! Numa das aldeias as crianças até hoje jogam “pipocão”. O nosso velho pipocão. Só que, entre indígenas que aprenderam a jogar com os padres jesuítas da Província do Sul, o jogo tem um nome europeu: spiryball. E, pelo Google, encontra-se até foto deste jogo.
A lembrança do Padre Selvaggi e dos colegas de 50 anos me acompanhou nessa segunda visita, as fotos representam a recordação e o silêncio que reina no local, quebrado pelo barulho das águas guarda em repouso merecido o corpo de nosso irmão, exemplo de dedicação aos indígenas, Padre Arlindo Ignácio de Oliveira.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
COLANDO PELA INTERNET E CELULAR
Lutar contra a cola é uma tarefa inglória. A escola que quiser fazer tal coisa deve preparar um up grade em suas avaliações. O professor Vasco Moretto, pesquisando numa escola em Brasília, as razões da cola, constatou que mais de 90% estavam atreladas aos nomes, datas e fórmulas. Quando as avaliações exigem comparações, análises de texto e pesquisa, torna-se nuito difícil colar através de um celular. Pela internet não, os recursos são múltiplos e a inteligência eletrônica de nossos alunos sabe como fazer.
Recentemente a imprensa informou sobre a questão de uma exigência escolar para retirar respostas de um site de comunicação. A intenção da escola enviando exercícios para os alunos em suas casas, pela internet, é excelente. Importante avaliar que os alunos precisam saber que se fizerem exercícios de fixação estarão criando condições para aprender. Para eles - e isso deveria ser muito debatido - aprender é o que deveria importar. O fato narrado pela imprensa dá conta de que a escola quando soube das colas pelo site de relacionamento, exigiu que uma estudante as retirasse de lá. A família sentindo-se agredida e alegando estar a aluna constrangida em sua liberdade, recorreu a uma delegacia segundo o órgão da imprensa. De sua parte a escola suspende a aluna por cinco dias e, segundo a família relata, envia a aluna para casa em horário escolar e sem avisar à família.
Penso em algumas considerações sobre o fato: primeiro é necessário saber de que a internet é capaz. Se usamos este veículo precisamos estar cientes de seu potencial e orientarmos os alunos sobre as possibilidades que terão. O importante é que se exercitem, caso contrário não terão condições de aprender. Mesmo ganhando um ponto ao final do mês, isto pouco acrescentará ao conhecimento necessário ao final do bimestre. Segundo é necessário ter a clareza de que não controlaremos a internet. E, se no caso dessa aluna, as informações fossem passadas pelos celulares, provavelmente a escola não saberia. Nem o Muhamar Kadafi consegue controlar o Twiter. Creio que instar a aluna para que retirasse as informações não é a causa do constrangimento e, sim, o envio da mesma para sua casa em horário escolar. É muito mais grave deixar uma pessoa menor de idade à mercê de todos os perigos de uma metrópole que colar pela internet. Terceiro, creio que a suspensão não cabe porque o veículo de comunicação é feito para esse fim: comunicar. Esta aluna merece um prêmio pela inteligência eletrônica, os colegas que usaram o sistema e ficaram calados merecem ser chamados a atenção pela falta de solidariedade à colega, apenas demonstraram esperteza "eletrônica". A todos os alunos é importante dizer que, pedagogicamente, quem não faz exercício não aprende e, por fim, para a escola seria interessante que os exercícios fossem sugeridos como atividade para ser realizada em função da responsabilidade de quem precisa aprender. À família, se ela tivesse reclamado por causa do abandono em que a filha ficou em plena rua, admitiria, de minha parte, a necessidade da procura de uma autoridade acima da escola, no entanto, em relação ao uso da internet e à suspensão melhor seria tratar o caso pedagogicamente, procurando-se a direção do estabelecimento de ensino.
Às vezes é melhor procurar perceber as mudanças destes novos tempos, procurar soluções mais educativas que as tradicionais e meios mais simples e de menor adrenalina para solucionar problemas.
Prof. Hamilton Werneck é pedagogo, escritor e conferencista.
http://www.hamiltonwerneck.com.br/
Recentemente a imprensa informou sobre a questão de uma exigência escolar para retirar respostas de um site de comunicação. A intenção da escola enviando exercícios para os alunos em suas casas, pela internet, é excelente. Importante avaliar que os alunos precisam saber que se fizerem exercícios de fixação estarão criando condições para aprender. Para eles - e isso deveria ser muito debatido - aprender é o que deveria importar. O fato narrado pela imprensa dá conta de que a escola quando soube das colas pelo site de relacionamento, exigiu que uma estudante as retirasse de lá. A família sentindo-se agredida e alegando estar a aluna constrangida em sua liberdade, recorreu a uma delegacia segundo o órgão da imprensa. De sua parte a escola suspende a aluna por cinco dias e, segundo a família relata, envia a aluna para casa em horário escolar e sem avisar à família.
Penso em algumas considerações sobre o fato: primeiro é necessário saber de que a internet é capaz. Se usamos este veículo precisamos estar cientes de seu potencial e orientarmos os alunos sobre as possibilidades que terão. O importante é que se exercitem, caso contrário não terão condições de aprender. Mesmo ganhando um ponto ao final do mês, isto pouco acrescentará ao conhecimento necessário ao final do bimestre. Segundo é necessário ter a clareza de que não controlaremos a internet. E, se no caso dessa aluna, as informações fossem passadas pelos celulares, provavelmente a escola não saberia. Nem o Muhamar Kadafi consegue controlar o Twiter. Creio que instar a aluna para que retirasse as informações não é a causa do constrangimento e, sim, o envio da mesma para sua casa em horário escolar. É muito mais grave deixar uma pessoa menor de idade à mercê de todos os perigos de uma metrópole que colar pela internet. Terceiro, creio que a suspensão não cabe porque o veículo de comunicação é feito para esse fim: comunicar. Esta aluna merece um prêmio pela inteligência eletrônica, os colegas que usaram o sistema e ficaram calados merecem ser chamados a atenção pela falta de solidariedade à colega, apenas demonstraram esperteza "eletrônica". A todos os alunos é importante dizer que, pedagogicamente, quem não faz exercício não aprende e, por fim, para a escola seria interessante que os exercícios fossem sugeridos como atividade para ser realizada em função da responsabilidade de quem precisa aprender. À família, se ela tivesse reclamado por causa do abandono em que a filha ficou em plena rua, admitiria, de minha parte, a necessidade da procura de uma autoridade acima da escola, no entanto, em relação ao uso da internet e à suspensão melhor seria tratar o caso pedagogicamente, procurando-se a direção do estabelecimento de ensino.
Às vezes é melhor procurar perceber as mudanças destes novos tempos, procurar soluções mais educativas que as tradicionais e meios mais simples e de menor adrenalina para solucionar problemas.
Prof. Hamilton Werneck é pedagogo, escritor e conferencista.
http://www.hamiltonwerneck.com.br/
domingo, 6 de fevereiro de 2011
José Saramago e o Evangelho de Jesus Cristo
Acabo de ler o livro de José Saramago, o Evangelho de Jesus Cristo.Cabem comentários. Para quem tem fé em Jesus Cristo o livro pode causar certo impacto porque nosssa educação religiosa ensinou-nos o máximo respeito pelo que nos é sagrado. Saramago é um grande crítico e tem um domínio da língua portuguesa de qualidade invejável. Vocabulário vasto, não repetido, pertinente e capaz de descrever com as mais adequadas palavras o que bem entender. Como literatura é uma obra fantástica, como capacidade de questionar todos os fundamentos do cristianismo, não fica atrás. O comentário que faço liga-se exatamente ao fato deste livro não questionar os costumes, não se ater aos princípios e nem sequer aos fatos. Para nós, cristãos, o que nos leva a refletir é que Saramago ataca os fundamentos do cristianismo e, como tal, destrói toda a moral que nele se baseia. Por isso é chocante, sobretudo no fulcro central enquanto expõe as controvérsias entre Cristo e o Pai, culminando com a frase final, quase à morte na cruz: "Povo perdoai-lhe porque não soube o que fez".Saramago conhece o cristianismo e os seus escritos evangélicos tanto é que os cita com precisão para, em seguida, destruir o fundamento. Ao término da leitura ficou-me claro um pensamento: "estou proclamando menos os valores de Cristo que Saramago os desvalores que cria em sua mente e os descreve com voracidade". Paraceu-me uma boa reflexão, com resultados úteis e imediatos. No entanto, em se tratando de um escritor com muitos amigos que se encarregam de abrandar o seu ateismo, alguns deles até formados em teologia, conclui de modo menos brando porque, afinal, para escrever o que lá está, só um fundamento ateu pode sustentar. Assim me parece! Prof. Hamilton Werneck
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
DILMA ROUSSEFF E OS PROFESSORES
O discurso de posse feito no Congresso Nacional foi recheado de recados claros para vários setores do governo e da sociedade. Chamou-me a atenção a fala sobre os professores; "professoras, professores, vocês são a autoridade em sala de aula".
Interpreto como uma fala num momento especial, onde a autoridade dos professores vem sendo posta à prova em muitas escolas de todos os níveis e sistemas. A falta de respeito impera! Outras constelações, como a familiar, muitas vezes não respeita o professor, assim como os que promovem mudanças na educação esquecem-se de consultar os professores. A fala de Dilma Russef é um recado para dentro e para fora do governo.
Para dentro, indicando a necessidade urgente de se respeitar o professor, o que significa, na minha interpretação, criar melhores condições de trabalho, reconhecer o papel social dos educadores, oferecer-lhes formação continuada e melhorar seus salários; para fora do governo o recado vai direto aos próprios professores porque a autoridade só será mantida se houver compromisso profissional, se a formação continuada for buscada sempre que oferecida e se as professoras e professores melhorarem a competência e todos os seus respectivos pilares. Creio que esta fala é pertinente e veio num momento histórico muito especial para a sociedade brasileira.
Interpreto como uma fala num momento especial, onde a autoridade dos professores vem sendo posta à prova em muitas escolas de todos os níveis e sistemas. A falta de respeito impera! Outras constelações, como a familiar, muitas vezes não respeita o professor, assim como os que promovem mudanças na educação esquecem-se de consultar os professores. A fala de Dilma Russef é um recado para dentro e para fora do governo.
Para dentro, indicando a necessidade urgente de se respeitar o professor, o que significa, na minha interpretação, criar melhores condições de trabalho, reconhecer o papel social dos educadores, oferecer-lhes formação continuada e melhorar seus salários; para fora do governo o recado vai direto aos próprios professores porque a autoridade só será mantida se houver compromisso profissional, se a formação continuada for buscada sempre que oferecida e se as professoras e professores melhorarem a competência e todos os seus respectivos pilares. Creio que esta fala é pertinente e veio num momento histórico muito especial para a sociedade brasileira.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Mário Roberto Lima
+ MÁRIO ROBERTO LIMA
Quando um gênio morre a humanidade perde um pouco de sua essência. A nossa sorte é que o legado deixado nos conforta e, muitas vezes, conseguimos aproveitar de alguma forma o que nos foi ofertado.
O falecimento de Mário Roberto deixou a família dele, os amigos e colegas de luto, porém, ao mesmo tempo, confortados pela grande utilidade de uma vida.
Recordando momentos de sua adolescência, lembro-me do “laboratório” científico nos fundos da casa do Dr. Bohrer, onde ele e Guilherme César faziam experiências e adoravam assustar seus professores. Era, apenas, o início do gênio que nascia. No ensino médio tornou-se um auxiliar do Padre Maurício Ruffier, no laboratório de física do Anchieta o que lhe valeu, mais tarde, quando professor, usar um laboratório que se tornou bastante familiar para ele.
Pensando em seu trabalho de magistério, lembro-me de quantas vocações para a física foram despertadas. Minha memória passa pela pessoa do físico e doutor em física pala UFRJ, Dr. Barucke e pelo Osvaldo Lucho da Gigalink que conheceu as fibras óticas através do Mário Roberto.
Quando abri um e-mail com as informações sobre seu velório - e vinha da gigalink que o citava como amigo e colaborador- voltei no tempo e recordei as feiras de ciências, onde um adolescente lidando com a efervescência das novidades, apresentou trabalhos premiados com pedaços de fibra ótica conseguidas pelo Mário na UNICAMP.
Friburgo tem, entre outros modelos, um sistema que usa a internet por fibra ótica e tudo começou quando Osvaldo Lucho era adolescente e despertava para uma outra realidade quando poucos nela acreditavam.
O gênio tem a capacidade de lançar sementes e isto nosso amigo foi capaz de fazer. Muitas vezes incompreendido porque pensava além de seu tempo, não desistia de suas buscas e até perdia a paciência quando alguns alunos não demonstravam interesse por saber mais.
Esbanjava criatividade e curiosidade. Se de um lado dava aulas de física no ensino médio e, depois, na Faculdade Santa Dorotéia, não lhe faltavam momentos para regular a temperatura em estufas, num município vizinho, visando a produção de cogumelos.
Viveu para a ciência e esqueceu-se de si mesmo. Tal foi esse esquecimento que não percebia as necessidades de mais cuidado com a dieta alimentar e, cada vez mais, embrenhava-se pelo mundo das descobertas.
Acordou para si mesmo quando o organismo estava combalido pelo diabetes e determinava a queda acentuada da visão que já era comprometida.
Para essas pessoas que escapam à mediania dos mortais, a dimensão da vida é outra. O dia-a-dia cede lugar à busca incessante pelo desconhecido e este “si mesmo” que anda junto com a gente a vida inteira fica um pouco triste quando percebe que perde as batalhas para um concorrente que, sequer, há certeza sobre sua existência.
Edgar Morin citando Heráclito na entrevista a Djénane Tager relembra duas passagens intrigantes: “se não procuras o inesperado, não o encontrarás” e, noutra citação: “acordados, eles dormem”.
Se, para nós, Mário está dormindo, para o criador ele está acordado; e, se nós dormimos, é por causa da falta do desejo de procurar o inesperado e o imprevisível.
É imprevisível mas, mesmo assim, tentarei ainda hoje um e-mail:
marioroberto-ceu@gigalink.com.br; faço isto na confiança que a internet banda larga não é tão moderna assim, data de uma passagem do novo testamento quando Cristo diz a Pedro: “tudo o que ligares na terra, será ligado no céu e tudo o que desligares na terra será desligado no céu.
Prof. Hamilton Werneck
Quando um gênio morre a humanidade perde um pouco de sua essência. A nossa sorte é que o legado deixado nos conforta e, muitas vezes, conseguimos aproveitar de alguma forma o que nos foi ofertado.
O falecimento de Mário Roberto deixou a família dele, os amigos e colegas de luto, porém, ao mesmo tempo, confortados pela grande utilidade de uma vida.
Recordando momentos de sua adolescência, lembro-me do “laboratório” científico nos fundos da casa do Dr. Bohrer, onde ele e Guilherme César faziam experiências e adoravam assustar seus professores. Era, apenas, o início do gênio que nascia. No ensino médio tornou-se um auxiliar do Padre Maurício Ruffier, no laboratório de física do Anchieta o que lhe valeu, mais tarde, quando professor, usar um laboratório que se tornou bastante familiar para ele.
Pensando em seu trabalho de magistério, lembro-me de quantas vocações para a física foram despertadas. Minha memória passa pela pessoa do físico e doutor em física pala UFRJ, Dr. Barucke e pelo Osvaldo Lucho da Gigalink que conheceu as fibras óticas através do Mário Roberto.
Quando abri um e-mail com as informações sobre seu velório - e vinha da gigalink que o citava como amigo e colaborador- voltei no tempo e recordei as feiras de ciências, onde um adolescente lidando com a efervescência das novidades, apresentou trabalhos premiados com pedaços de fibra ótica conseguidas pelo Mário na UNICAMP.
Friburgo tem, entre outros modelos, um sistema que usa a internet por fibra ótica e tudo começou quando Osvaldo Lucho era adolescente e despertava para uma outra realidade quando poucos nela acreditavam.
O gênio tem a capacidade de lançar sementes e isto nosso amigo foi capaz de fazer. Muitas vezes incompreendido porque pensava além de seu tempo, não desistia de suas buscas e até perdia a paciência quando alguns alunos não demonstravam interesse por saber mais.
Esbanjava criatividade e curiosidade. Se de um lado dava aulas de física no ensino médio e, depois, na Faculdade Santa Dorotéia, não lhe faltavam momentos para regular a temperatura em estufas, num município vizinho, visando a produção de cogumelos.
Viveu para a ciência e esqueceu-se de si mesmo. Tal foi esse esquecimento que não percebia as necessidades de mais cuidado com a dieta alimentar e, cada vez mais, embrenhava-se pelo mundo das descobertas.
Acordou para si mesmo quando o organismo estava combalido pelo diabetes e determinava a queda acentuada da visão que já era comprometida.
Para essas pessoas que escapam à mediania dos mortais, a dimensão da vida é outra. O dia-a-dia cede lugar à busca incessante pelo desconhecido e este “si mesmo” que anda junto com a gente a vida inteira fica um pouco triste quando percebe que perde as batalhas para um concorrente que, sequer, há certeza sobre sua existência.
Edgar Morin citando Heráclito na entrevista a Djénane Tager relembra duas passagens intrigantes: “se não procuras o inesperado, não o encontrarás” e, noutra citação: “acordados, eles dormem”.
Se, para nós, Mário está dormindo, para o criador ele está acordado; e, se nós dormimos, é por causa da falta do desejo de procurar o inesperado e o imprevisível.
É imprevisível mas, mesmo assim, tentarei ainda hoje um e-mail:
marioroberto-ceu@gigalink.com.br; faço isto na confiança que a internet banda larga não é tão moderna assim, data de uma passagem do novo testamento quando Cristo diz a Pedro: “tudo o que ligares na terra, será ligado no céu e tudo o que desligares na terra será desligado no céu.
Prof. Hamilton Werneck
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
COMENDA GILDECINA BEZERRA
Estou na úlima atividade educacional do ano de 2010. Depois terei 20 dias de férias. Viajo para Afonso Bezerra, no interior do Rio Grande do Norte, onde, à noite, em solenidade naquele município entre Natal e Mossoró, receberei, por bondade dos professores, a COMENDA GILDECINA BEZERRA, a maior condecoração concedida pelo município. Eles definiram a entrega pelo trabalho realizado no Brasil e, junto comigo estarão alguns grandes amigos de jornada: Pedro Demo, Celso Antunes, Dirceu Moreira e José Pacheco. O mais importante é que este povo reconhece a preocupação com a educação, dado que Gildecina foi professora e mulher de grandes batalhas, reconhecida em sua cidade natal , tendo o nome registrado em escolas e bibliotecas. Gildecina é um grande exemplo para os demais professores, pois, também ela, somente conseguiu formar-se graças ao grande esforço que fez durante a vida. Sou grato ao povo de Afonso Bezerra e compartilho este momento com os leitores desta blog. Dezembro de 2010, dia 17.
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
NÃO PRECISAMOS MAIS IR À FINLÂNDIA
Ainda é comum ouvirmos falar sobres os êxitos da educação na Finlândia. Achávamos, até pouco tempo que deveríamos ir lá para conhecermos alguma revolução aplicável ao Brasil. Constatei algo diferente. Ir à Finlândia pode ser um excelente passeio, no entanto as roupas a serem compradas são muito caras tanto quanto a passagem. Fica mais barato ir à cidade de Cajuru, distante de Ribeirão Preto, em São Paulo, apenas 60 km. Lá encontrei uma educação de qualidade, dentro da aplicação cuidadosa dos recursos da educação. O município adquiriu material apostilado de um sistema de ensino e, em troca, recebe o apoio pedagógico e a formação continuada para os educadores. São nove escolas do ensino fundamental. Todas as escolas têm sala de cinema para aprimoramento cultural dos alunos e professores. Os alunos apresentam-se como alunos normais das escolas públicas, sem aparência de facilidades econômicas, embora esta região seja uma das mais ricas do Brasil. Os professores recebem um pouco mais que o piso nacional e uma central de atendimento com psicóloga, fonoaudióloga e psicopedagoga atendem aos casos de necessidade específica. O resultado é alentador. O menor IDEB é de 8,2 e, a escola com o maior IDEB chegou aos 9,2.
Meu caro educador, procure a Secretaria de Educação desta cidade. Se você quiser ir à Finlândia, vá por turismo; para conhecer algum trabalho transformador em educação, vá a Cajuru.
Meu caro educador, procure a Secretaria de Educação desta cidade. Se você quiser ir à Finlândia, vá por turismo; para conhecer algum trabalho transformador em educação, vá a Cajuru.
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
Os desempregados brasileiros e a educação
Hoje, quarta, 8 de setembro, o jornal O Globo indica um número de brasileiros menos desempregados se não concluíram o ensino médio e mais desempregados após a conclusão do ensino médio. Se um desavisado concluir que a educação atrapalha está completamente errado. Não é mais educação que atrapalha, o que impede o trabalho por parte dos que concluem o ensino médio é o que eles estudam, indicando que o país oferece trabalho que eles não sabem desenvolver. Eis a razão da necessidade de se aliar à formação geral, a formação técnica e de se ampliar as escolas técnicas por todo o Brasil. Um salto de desenvolvimento demandará uma população bem preparada, onde o mínimo dessa preparação, será o ensino médio e técnico. Quanto aos que não concluiram o ensino médio e enfrentam um índice menor de desemprego, deixa claro que há no país muitas atividades que ainda não requerem, no setor de serviços, uma formação mais aprimorada. Há muita gente varrendo, capinando, carregando fardos com os braços, cuidando de agricultura familiar e que não concluiu o ensino médio. Se tivessem concluído, certamente estariam num estamento melhor porque as oportunidades aumentam e a capacidade de assimilar as transformações acompanham. 08/09/2010.
Prof. Hamilton Werneck é pedagogo, escritor e conferencista.
http://www.hamiltonwerneck.com.br/
http://www.hamiltonwerneck.blogspot.com/
Prof. Hamilton Werneck é pedagogo, escritor e conferencista.
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